Espiritualidade, Política e Autorresponsabilidade
"Nenhum homem é uma ilha isolada." Partindo dos versos de John Donne, uma reflexão sobre a diferença entre neutralidade e negação, entre estar presente e estar fundido no outro - e sobre a responsabilidade que temos diante da vida, do corpo e do lugar que habitamos.
ESPIRITUALIDADEAUTOCONHECIMENTO
Alessandra Girotto
7/13/20263 min read
Você se considera um ser político? Como tem lidado com as últimas informações e com os últimos acontecimentos – há dentro de você um incômodo, um lugar que olha e, no mínimo, estranha? O que há dentro? O que sente? Há dor, empatia, conexão ou há negação, distanciamento… O que há, aí dentro?
Você se permite ser impressionado pelo que acontece à sua volta? Se permite sentir o que se passa? Digo sentir mesmo, e não se identificar e reagir emocionalmente. Estou perguntando se permite-se SENTIR, com todos e em todos os sentidos. Fazer parte e TOMAR parte desse mundo, dessa terra onde nasceu e desse corpo que ocupa. Há lugar para isso dentro de você?
Nesses últimos dias os versos de John Donne não saem da minha cabeça:
“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.” – John Donne (no começo do livro “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway)
E assim como ele, não me considero uma ilha, não me considero isolada e separada do todo e dos outros – faço parte. Hoje, eu sei disso.
Mas já tentei. Já estive nesse lugar de congelamento e distanciamento – achando que era serenidade e sabedoria. Achando que era “neutralidade” e racionalidade. Achando que estava apenas sendo “sensata”.
Também já estive num lugar onde eu estava tão misturada que não havia separação entre eu e o outro, entre o que era meu e o que era do outro – e nesse lugar, o que era do outro “me bastava” e era minha voz. Não habitava um corpo e muito menos uma terra.
Hoje, busco tomar posse cada vez mais do corpo que habito, assim como do lugar que ocupo. Busco me conhecer, me preencher e dar de mim. Estar PRESENTE. E nesse lugar, há espaço pro outro, há espaço pra vida. E não existe vida separada do outro ou do ambiente que ocupo. Não existe vida fora da sociedade, fora de relações. Não existe vida fora da política. Precisamos tomar consciência do espaço e do corpo que ocupamos, do lugar que vivemos e de todas as suas implicações. Faz parte da minha responsabilidade, sobre mim e sobre a vida que eu escolho viver, o que faço com o ambiente no qual interajo, com o que acontece comigo e com a forma com que me relaciono com o outro. Com o que deixo, permito ou não permito acontecer à minha volta. Com o que faço com minha indignação diante de uma injustiça ou de uma dor – se me calo, me retiro, ajo ou outra opção.
Hoje, quero apenas deixar essa reflexão: qual a sua responsabilidade e suas possibilidades diante da vida, vivendo nesse corpo, nessa época e nesse lugar que agora ocupa? O que você tem feito com tudo que recebeu, com tudo que possui? Com suas qualidades e forças? Com sua indignação e suas emoções? Você tem assumido seu lugar no mundo? Tem dado (ou tentado dar) o que de melhor tem pra dar? Está disposto?!
Se estiver, gostaria muito de continuar conversando sobre isso… Vamos?!
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