Motivações internas – e o caminho de conexão comigo mesma

Antes de dar o primeiro passo numa jornada de autoconhecimento, vale parar e olhar para o que realmente nos motiva. Quais as motivações internas e externas, expectativas do processo e o que significa caminhar - no seu próprio tempo - rumo a uma conexão mais honesta consigo mesma.

ESPIRITUALIDADEAUTOCONHECIMENTOTERAPIA

Alessandra Girotto

7/26/20264 min read

An aerial view of a beach and ocean
An aerial view of a beach and ocean

Quando decido me conectar comigo mesma e fazer uma jornada de autoconhecimento, sempre levo algo "estranho" na bagagem - e é muito bom se, antes de dar "o" passo, eu conseguir olhar alguns desses itens com mais cuidado.

"Tá, e como faço isso?!"

Podemos começar observando três coisas: quais são as motivações, boas e ruins, que me fizeram dar esse passo? Quais são as minhas expectativas quanto ao processo? E como imagino que será quando "chegar lá" (ou: o que espero que aconteça comigo)? Quero conversar com vocês sobre esses três pontos.

Vamos lá: o que (você acha que) está te motivando a isso? O que "vem" da falta de conexão com você mesma, do desconhecimento sobre si?

Ou: o que você ganha fazendo esse caminho? Pode ser que não tenha uma dor latente, pulsante. Que você não esteja passando por nenhuma crise… mas quer "mais". Quer crescer, expandir, descobrir novas possibilidades de ser e de viver. Essa também é uma motivação possível.

Responder perguntas como essas é um passo importante do processo. Isso nos ajuda a saber se a motivação é interna ou externa, se vem de "dentro pra fora" ou de "fora pra dentro". Quando a motivação vem de fora, é sinal de que o que busco não é bem aquilo que estou achando que estou buscando - e vale a pena olhar isso com mais calma. Essa "olhada" pode acontecer durante o próprio processo de autoconhecimento, porque uma coisa não exclui a outra. Mas ter essa consciência ajuda a dar um norte e a atravessar melhor as frustrações futuras, que com certeza vão chegar.

"E o que seria uma motivação vinda de fora?"

Um exemplo: todas as minhas amigas estão fazendo isso, então eu vou fazer também - porque não quero me sentir diferente delas. Ou: li num livro, vi num canal do YouTube alguém falando que faz isso e parece bom, vou experimentar - e, por dentro, quero ser igual a essa pessoa e receber a mesma admiração que, acho eu, ela recebe.

As frases entre parênteses são exemplos das motivações reais que podem estar por trás do movimento aparente de autoconhecimento e autocuidado. Externamente, o movimento é bom. Internamente, não há um desejo genuíno de se conhecer, de se conectar consigo mesma, de deixar emergir o que existe dentro de si. Isso torna o caminho mais penoso - e, com certeza, mais frustrante e desafiador do que precisa ser.

É por isso que conhecer bem os nossos "porquês" é importante.

Ah, e isso não significa que só se pode trilhar um caminho de autoconhecimento com motivações puramente "internas". Isso não é verdade, nem faria sentido - excluiria do processo muitas pessoas que chegam a ele por motivações externas e mesmo assim se transformam profundamente. O ponto é que conhecer os próprios motivos torna tudo mais fluido e com menos sofrimento.

Com relação às minhas expectativas quanto ao processo: por que é bom pra mim saber quais são?

Para que eu possa tomar as "rédeas" do processo, reunir as forças necessárias para a jornada e dar os passos e as mudanças que precisarão ser feitas.

Se entro num processo de autoconhecimento achando que o outro vai fazer por mim, vai me entregar fórmulas prontas e mastigadas, não faço o meu caminho - quando muito, faço o caminho "do outro". E esse é o ponto: o caminho é, e sempre será, meu. Não existe outra forma. O outro (seja terapeuta, amigo, guru ou autor "best-seller") pode compartilhar ferramentas e apoiar no processo - o que não é pouco. Mas nunca vai poder caminhar por mim.

"Tá, e o que mais as expectativas trazem?"

Quando começo uma jornada como essa já com "um objetivo final" a ser alcançado - no sentido de "como tudo deve estar" ou "como eu devo passar a me portar, agir e/ou sentir", de forma rígida e pré-determinada - eu começo a caminhar sem abrir espaço para o novo emergir, sem espaço para deixar brotar o que é meu.

Vou para a trilha já levando a forma do que eu quero que seja - e só vou ser feliz e aceitar a vida se ela me entregar exatamente isso no final. Aqui há obstinação, há rebeldia, há rigidez. Posso ir para um caminho de autoconhecimento levando na bagagem leituras e conhecimentos já adquiridos, mas isso não pode pesar mais do que a minha experiência no processo. Quando olho para o meu ciclo menstrual, para o meu corpo, e ignoro que ele é fruto da minha história, da soma da história da minha família e da cultura de onde vim, do momento que estou vivendo - eu me ignoro profundamente no processo.

Para esse caminho ser rico e o mais real possível, preciso estar aberta para me ver e me conhecer como eu sou diante de cada etapa. Qual é a minha relação com os ritmos e ciclos da vida? Como eu lido com momentos de expansão, de recolhimento e de descanso? Como eu lido com o mistério e com o objetivo? Com o dar e o receber?

E é por isso que aprender o caminho - aprender a se olhar, se conectar e se conhecer - é tão importante nesse processo. Porque não é o "sintoma" externo que vai me dizer em que "fase" estou e o que acontece comigo. Sou eu, observando meu corpo, minhas emoções e a mim mesma, no mais profundo que conseguir, um pouquinho mais a cada tentativa.

*Texto original: 5 de junho de 2019

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Alessandra Girotto é psicanalista, consteladora e facilitadora de Pathwork. Atende mulheres em processos de autoconhecimento e reconexão consigo mesmas — presencialmente em Campinas/SP ou online.

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