Ser solícito demais é bondade? Quando ajudar todo mundo vira abandonar a si mesma
Ser prestativa o tempo todo é bondade ou autoabandono? Entenda por que é tão difícil dizer não e como começar a se escutar.
TERAPIAAUTOCONHECIMENTOAUTOCOMPAIXÃO
Alessandra Girotto
9/28/20262 min read
Você acha bom, ou até bonito, ser solícita demais?
A maioria de nós aprendeu, desde cedo, que amar e ser uma pessoa boa é quase sinônimo de dar. Dar atenção, tempo, ajuda, disponibilidade. E aí, sem perceber, a gente passa a dar sem parar. Mesmo quando ninguém pediu. Mesmo quando a outra pessoa nem queria.
O mais curioso é que quase nunca notamos que, às vezes, estamos invadindo o espaço do outro. Já parou para observar isso em você?
E tem uma camada ainda menos visível: nessa dinâmica, quem mais sofre abuso, muitas vezes, é você mesma.
Por que é tão difícil dizer não?
Cada uma tem os seus motivos. Talvez você acredite que amar é estar sempre disponível. Talvez queira que gostem de você e a achem uma pessoa boa. Talvez tenha medo de ficar sozinha ou de perder as pessoas que ama.
Seja qual for o motivo, o resultado costuma ser parecido: eu escuto, vou e faço sem ter energia para isso. Dou o que não tenho. Viro "caco". E, muitas vezes, ainda comemoro. Me multiplico em mil só para garantir um grão de areia de atenção e para não ter que encarar uma cara feia, um olhar de censura ou de frustração.
Só que aqui mora uma pergunta importante: como vou sustentar um "não" dito ao outro se quase nunca consigo ouvir um "não" vindo de mim? Se eu me cobro tanto para ser boa, e me censuro quando não sou?
Esse ciclo tem nome: autoabandono. E ele costuma se vestir de generosidade.
Um convite: experimente o "não"
Não precisa ser de uma vez, nem em voz alta para o mundo. Comece devagar, começando por você:
"Não, hoje eu não tenho para dar. Vou cuidar de mim."
"Não, não é errado me ouvir."
"Não, não sou má por dizer a minha verdade. Não dá para ser 100% boa o tempo todo, isso é humano."
"Não, não quero carregar o mundo nas costas, e isso não me torna preguiçosa."
"Não, não vou matar um leão por dia para ter uma vida minimamente confortável. Vou criar outras alternativas."
Ou o "não" que for o seu. Experimente e observe o que vem: culpa, alívio, medo, silêncio. Tudo isso é informação.
Se há algo em você que pede espaço, podemos escutar juntas. Faço uma primeira conversa gratuita, sem compromisso, para você sentir se ressoa.
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Alessandra Girotto é psicanalista, consteladora e facilitadora de Pathwork. Atende mulheres em processos de reconexão consigo mesmas, presencialmente em Campinas/SP ou online.
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