Tem coisa que sai aos pedaços...

Nem tudo o que sai confuso precisa ser corrigido. Às vezes, é justamente ali que algo importante aparece.

RELACIONAMENTOVULNERABILIDADEAUTOCONHECIMENTO

Alessandra Girotto

9/13/20262 min read

Talvez a parte difícil durante uma conversa seja justamente o que mais precisa aparecer - e, só pra deixar claro, não estou falando aqui sobre apresentações no trabalho.

Você começa a falar e percebe que não está saindo como imaginou. Esquece um detalhe, volta numa frase, tenta explicar de outro jeito. E no meio disso tudo vem aquela sensação de que seria muito mais fácil se outra pessoa pudesse organizar e falar por você...

Alguém que soubesse escolher as palavras certas. Que lembrasse da ordem dos fatos. Que conseguisse dizer sem hesitar uma coisa que, através de você, se expressa cheia de pausas e confusa.

E eu entendo por que isso parece tão tentador, mas no geral isso é apenas uma fantasia nossa. Algo bem longe do real.

Quando a gente tem medo de não ser compreendida, começa a tentar melhorar a própria fala antes mesmo de abrir a boca. Quer deixar tudo claro, coerente, impossível de ser interpretar errado. E, nessa tentativa, acaba escondendo justamente a parte que mais diz sobre como aquela situação atravessou e impactou você.

O jeito como você conta uma história também mostra como você está. Permite ao outro enxergar quais emoções estão ali, vibrando.

E, considerando isso, sim, às vezes o esquecimento importa. A frase que demora a sair importa. A parte que você ainda não consegue explicar também importa.

Você não precisa transformar o que sente numa versão perfeitamente organizada para merecer ser escutada. Pode chegar numa conversa delicada sabendo só o suficiente para começar. Pode dizer “eu não sei explicar essa parte direito ainda”. Pode parar, pensar - respirar - e continuar.

Quando vejo alguém muito preocupado em encontrar a formulação certa antes de conversar, eu presto atenção no que essa preocupação está tentando proteger. Muitas vezes ali já aparece o medo de ser mal interpretada, a ansiedade de não conseguir se sustentar na própria fala e a vontade de garantir acolhimento sem querer arriscar saber como o outro vai responder.

Se existe uma conversa que você está adiando, antes de preparar tudo o que pretende dizer, escolha apenas três coisas que gostaria que estivessem presentes quando ela terminar, o "por que" essa conversa importa. E leve isso com você.

Depois, quando chegar a hora, não tente corrigir cada pausa enquanto fala, como se estivesse lendo um teleprompter. Repare onde a frase custa a sair, onde você procura uma palavra por mais tempo, onde alguma coisa se embaralha e se permita navegar pelo discurso e pelas suas emoções.

Talvez você tenha passado muito tempo achando que esses eram os trechos que precisava esconder. Hoje, eu gostaria que você tentasse prestar atenção justamente neles.

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Alessandra Girotto — Psicanalista, Consteladora e Helper Pathwork. Atendimento em Campinas/SP ou online.

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